Em abril, o mercado brasileiro volta suas atenções para a safra de balanços do primeiro trimestre de 2026. A missão é traduzir, em números, um período marcado por uma complexa triangulação macroeconômica: a manutenção dos juros nos Estados Unidos, um cauteloso corte na Selic (a taxa básica de juros do Brasil), e o impacto da guerra no Oriente Médio, que ditou o ritmo de março.
Analistas apontam que esta temporada será marcada por uma forte dispersão setorial. Na prática, isso significa que não haverá uma tendência única para os resultados trimestrais. O desempenho de cada empresa dependerá diretamente do setor em que atua.
O vetor da guerra e o “vencedor relativo”
O conflito no Oriente Médio alterou as projeções de inflação e custos globais. Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável na Davos, o Brasil acaba se posicionando como um “vencedor relativo” devido, principalmente, à exportação de petróleo.
A principal commodity de energia do mundo, que operava próximo de US$ 60, saltou para a casa dos US$ 90 – chegando a superar os US$ 100, o barril –, o que beneficia o setor de óleo e gás. Contudo, há divergências sobre a velocidade desse repasse.
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