A Compass Gás e Energia está prestes a quebrar o jejum de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) da B3, que já dura mais de cinco anos.
A empresa de gás e energia do grupo Cosan (CSAN3) vai precificar as suas ações. Porém, no mercado, o rumor é de que a companhia já encontrou demanda suficiente para seguir com o plano.
A ideia da Compass é vender pelo menos 89,3 milhões de ações, a um preço indicativo de R$ 28 a R$ 35 por ação. E colocar esses papeis para negociação na B3, sob o ticker PASS3.
A oferta base deve movimentar de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,1 bilhões, portanto. Mas essa cifra ainda pode crescer, por meio da oferta de lotes suplementares de ações, caso haja demanda para isso.
“É uma operação relevante, com um ativo de qualidade e um controlador conhecido, em um setor defensivo”, comentou o especialista em renda variável da Davos, Marcelo Boragini.
O ponto de atenção
O especialista em renda variável da Davos acredita que a qualidade do ativo explica o elevado interesse do mercado no IPO da Compass. Porém, lembra que também é preciso ficar atento a alguns detalhes nessa história.
Esta será uma oferta secundária de ações, em que os atuais acionistas da Compass vão vender participações e ficar com o dinheiro arrecadado. Ou seja, não haverá a emissão de novas ações, nem dinheiro novo entrando no caixa da Compass.
Controladora da Compass, a Cosan deve ficar com a maior parte dos recursos e pretende usar essa verba para reduzir o seu endividamento. Além disso, pode ser pressionada a fazer novos aportes na Raízen.
“No IPO da Compass, o ponto positivo é o perfil mais defensivo do negócio e o ponto de atenção é que a operação nasce muito ligada à desalavancagem da Cosan e à venda da participação dos acionistas atuais”, afirmou Marcelo Boragini.