De repente, 2026 parece reviver 2024. O cenário é diferente, mas o gosto é terrivelmente similar para o investidor brasileiro. A terça-feira (19) coroa o paralelo, tendo sido marcada pelo avanço das taxas dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) às máximas dos últimos anos, acompanhando as perspectivas cada vez mais concretas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode precisar subir os juros ainda neste ano.
Ruim o bastante para minguar o apetite do investidor global por risco, o cenário piora no contexto local, em que as incertezas estrangeiras e domésticas se amontoam, fechando o cerco em torno do Banco Central (BC).
Nesta terça, 19 de maio, o Ibovespa recuou 1,5%, aos 174.279 pontos nesta sessão, no menor nível desde o fechamento de 21 de janeiro. Na semana, o índice tem perda de 1,7% e, no mês, está com baixa de 7%. No acumulado ano até aqui, a alta da carteira cedeu 8%.
“Ao longo do dia, os investidores também monitoraram de perto os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio, principalmente após novas declarações envolvendo Donald Trump, o Irã e possíveis negociações diplomáticas. Esse cenário aumentou ainda mais a volatilidade e reforçou a postura defensiva dos investidores”, diz Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.
Boragini pontua que o mercado demonstra pouca confiança em relação às declarações políticas recentes, não apenas pelo histórico de Trump, mas tendo o próprio vice-presidente dos EUA afirmado que não há garantias sobre uma evolução concreta das negociações entre os países, o que aumenta a percepção de insegurança.