A correção intensa do ouro e da prata, depois de semanas de valorização acelerada, expôs uma assimetria subestimada pelo mercado. Após quedas de 11% (a maior desde 2016) e 31%, respectivamente, os metais vêm recuperando o fôlego de forma progressiva.
Embora o movimento tenha coincidido com a indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), especialistas apontam que o baque refletiu menos uma mudança de fundamentos e mais o desmonte de um excesso de posicionamento concentrado e altamente alavancado, com o mercado chinês desempenhando papel central.
Ouro não funciona como aposta tática
A avaliação de que o ouro não deve servir como aposta de curto prazo também marca a opinião de Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos. “Não acredito que faça sentido tentar especular em cima do ouro”, afirma. Segundo ele, o metal cumpre papel de proteção diante de incertezas amplas, especialmente geopolíticas, e de diversificação estrutural.
Boragini avalia que o dólar funcionou como catalisador, mas não como causa principal. “O dólar pressiona as commodities precificadas em dólar, mas a magnitude da queda sugere que existia excesso de alavancagem”, afirma.