Março foi um mês desafiador para os fundos multimercados, com a maior parte das posições sendo pressionadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Ainda assim, algumas carteiras “puro-sangue” de estratégia macro — aquelas que levam em consideração indicadores macroeconômicos — conseguiram preservar ganhos no acumulado do ano e se destacar dentro da classe.
Levantamento do InfoMoney com dados da Economatica mostra que 80 carteiras, entre 200 multimercados macro que não são de crédito privado e têm patrimônio acima de R$ 100 milhões, fecharam março com ganhos em 2026.
O que fez a diferença neste ano não foi a direção dos mercados, mas a capacidade de adaptação dos gestores, afirma Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável da Davos.
Olhando para frente, Boragini lembra que o ambiente continua desafiador, mas abre uma janela de oportunidade. “A combinação de inflação pressionada por conta do petróleo, bancos centrais mais cautelosos e incerteza geopolítica tende a manter uma volatilidade muito alta ainda em abril, o que favorece a gestão ativa, mas aumenta a dispersão de resultados dos fundos.”
Ele lembra também que a taxa de juros em 14,75% aumenta o custo de oportunidade para o investidor sair da renda fixa, e o multimercado deixa de ser uma escolha trivial, exigindo maior seletividade.