A Davos Financial Partnership, empresa com aproximadamente R$ 6 bilhões sob custódia e gestão, se movimentou nos últimos anos para avançar de um negócio de assessoria para um ecossistema que contemple mais necessidades de seus clientes. Após aquisições e criações de área, o foco da Davos agora recai sobre uma fase de consolidação. Com um crescimento das receitas a uma média de 35% no ano contra ano, a meta da empresa é dobrar de tamanho dentro dos próximos três anos.
“Estamos em uma fase de consolidar todas as ‘caixinhas”, afirmou Katia Alecrim, sócia-fundadora da Davos, em entrevista à Broadcast. Após ampliar as frentes de negócios de uma para seis, o desafio agora é que todas essas caixinhas, que ela diz já funcionarem bem sozinhas, sejam cada vez mais bem integradas e aproveitadas. Mas isso não significa que a empresa deve parar por aí. Thiago Nunes, sócio-fundador da Davos, adianta que conversas continuam acontecendo e uma frente de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) está sob estudos para o futuro.
Liderada por egressos do Citi, a Davos nasceu em 2018 como uma assessoria de investimentos ligada à XP e voltada ao perfil de wealth management. Quase oito anos depois, a empresa já contabiliza seis frentes de negócios – além da assessoria, há verticais de investimento offshore, corretora de seguros, corporate, multi family office (MFO) e M&A para pequenas e médias empresas -, 65 sócios e filiais em cinco cidades – São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Miami, nos Estados Unidos.
Segundo Alecrim, as verticais foram criadas conforme um entendimento de necessidade e a maioria veio de investimento próprio, enquanto as fusões com Étre e Sirius para as áreas de MFO e de M&A, respectivamente, foram motivadas pelos profissionais que compunham as equipes. “Já tínhamos vontade, mas com ‘braços faltando’. Unimos o útil ao agradável” destaca Nunes.
“Nossa origem é no wealth, mas por trás disso tem uma pessoa física, que normalmente é um profissional liberal bem-sucedido, um empresário. As estruturas tradicionais em bancos se segmentam, então o que temos feito nos últimos anos é criar algo onde tudo se conversa, independentemente da ‘porta’ pela qual o cliente vem se relacionar com a gente”, diz Nunes.
Por ser a vertical mais antiga, a assessoria de investimentos ainda representa a maior fatia da Davos, ainda que já tenha reduzido de 97% do faturamento total em 2020 para 45% neste ano. As outras áreas têm galgado mais espaço na empresa com destaque para o MFO, que nasceu de uma demanda interna e atende famílias que possuem liquidez a partir de R$ 30 milhões com a Davos, e a operação offshore, que inclui dois sócios em Miami com licenças vinculadas ao broker dealer da XP. Em média, o portfólio dos clientes da casa tem de 20% a 25% de exposição ao exterior.
Portfólios mais conservadores
O cenário macroeconômico com o tarifaço do governo Trump ao Brasil e as incertezas pela Lei Magnitsky traz cautela aos mercados, e a Davos “tirou o pé” das alocações mais agressivas para dar preferência a ativos pós-fixados, além de diminuir posições em prefixados e bolsa. “Precisamos avaliar o momento, não queremos ser ‘heróis’. Então adotamos uma postura mais conservadora para o curto prazo”, afirma Ricardo Pompermaier, estrategista-chefe da Davos.
No segmento de crédito, Pompermaier diz que os prêmios (spreads) estão muito baixos no Brasil, o que ele não vê coma atrativo, enquanto o mercado parece “mais funcional” nos Estados Unidos. “Renda fixa lá fora é nosso carro-chefe hoje, junta aos títulos atrelados à inflação por aqui”, afirma. Em relação às bolsas, também há preferência pelo mercado internacional. “Aqui está barato, mas não tem motivo para subir”, observa o estrategista.